SONS : recomendações breves (ou: os melhores discos deste ano ainda são do ano passado)
Enfim: Aqui estão indicações de sons de bons discos cujas fichas caíram nos últimos 3 meses, enquanto frito de trabalhar, estudar e meditar sobre a vida.
Muitos bons discos lançados ainda no ano passado e que fui ter tempo de sacar só nos últimos meses, de forma que esta postagem pode servir como um anexo às recomendações de melhores discos de 2007, feita anteriormente.
Mesmo assim já vão pintando neste ano bons discos, que vão juntos recomendados.
Há ainda uma retratação, no caso de "In Rainbows" do Radiohead.
E já que isto aqui é a porra da internet (e se alguém lê essa porra de blog), tentarei ser mais breve.
Obs: Já me perguntaram porque não disponibilizamos os discos recomendados aqui para download no Blog. Respondo: primeiro não quero encheção de saco por conta de direitos autorais; segundo, que com a minha net discada, levaria meses para fazer o upload dos albuns; e terceiro - se eu sou capaz de baixar esta penca de discos (e outras tantas dezenas) com a minha conexão discada, nosso famigerado leitor também o poderá fazer. Então: Boa sorte!
Ah! Outra coisa: se querem fazer downloads, podem ficar à vontade para baixar nossos discos do selo Gravatório que serão sistematicamente disponibilizados aqui na sessão Downloads, inclusive em formato zipado (vide Modal e Dois Mil ano para isso que já estão disponíveis no Blog).
té!
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ESCUTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
The National - Boxer (2007)
Este disco vigorou na lista dos melhores do ano de quase todas as publicações e sites especializados no ano passado. Boxer merece mesmo tal destaque. O The National já tem 4 albuns e estão na ativa desde o fim da década de 90. As comparações com o Interpol são inevitáveis, mas ao escutar toda a discografia do The National, comparando-a com a do Interpol, é possível perceber que Boxer é um salto em termos de musicalidade de um album para o outro que o Interpol (apesar da qualidade dos seus albuns) ainda não experimentou.
A diferença em relação aos discos anteriores desta banda, é que Boxer tem uma sonoridade mais folk e lapidada. O resultado não poderia ser outro: estes caras do Ohio, radicados em Nova York contaram com a mão do genial Sufjan Stevens nos pianos e de Padma Newsome do Clogs nas orquestrações. Com essas mãozinhas na produção e adicionada a grande inspiração da banda para as composições deste album, Boxer é um conjunto de músicas de beleza incomparável: a voz de Matt Berninger ora lembra obviamente Ian Curtis e tudo de melhor que o Joy Division produziu, ora lembra-me os tons hiper graves do Tindersticks ou de Nick Cave. Um album pra se escutar por dias seguidos, com canções e letras atemporais como "Fake Empire", "Mistaken from Strangers", "Racing like a pro" e "Apartment Story" e "Start a War".
Earl Greyhound - Soft Targets (2007)
O Earl Greyhound é um powertrio incrível de Nova York, como só aqueles vistos nas décadas de 60 e 70. E seu som está mesmo calcado naquelas décadas. A diferença é que ao invés de soarem apenas como mero pastiche retrô como muitas bandas por aí, eles têm o grande diferencial de trazer um certo frescor para o seu rock obviamente influenciado por clássicos como T-Rex, Big Star, Bad Finger, Cream e Beatles.
Soft Targets é direto e reto um discaço de Rock pra ser escutado no talo. O som é muito conciso e os vocais da baixista Kamara Thomas trazem um ar meio soul enquanto o guitarrista vocalista Matt Whyte mostra-se além de um puta guitarrista, também um grande vocalista. Pra escutar no talo!!!!!
The Sword - Age of Winters (2007)
Andei pesquisando umas rockeirices por conta de uns amigos babões que ficam chorando pitangas dizendo que boas bandas de rock já não aparecem (papo de velho! ahahahhaha) Quando falei com um destes amigos sobre o The Sword, disse o seguinte: "Você precisa ouvir esta banda, é uma mistura muito bem dosada de Kyuss e Black Sabbath!". Ahahahaah, aí o cara quase caiu pra trás!: Kyuss e Sabbath são demais pra estar juntos numa banda? Escute o The Sword e confira! Pra chamar ou espantar os demônios: é certeiro! Talvez uma das melhores bandas do incompreendido stoner-rock.
The Breeders - Mountain Battles (2008)
Kim Deal está de volta com suas Breeders. Parece que a temporada em turnê de reuninão com os Pixies não amoleceu esta senhora. A exemplo do album anterior, Title TK, Kim Deal está fazendo música na contra-mão: as Breeders tem produzido, diferentemente de seu clássico, Last Splash, música áspera, seminal, básica e cortante, - antipop - na contra-mão mesmo das super produções, inovações tecnológicas ou recursos eletrônicos que afetam o rock desde os fins da década de 90. Assim como Title TK, Mountain Battles não se compara aos dois primeiros discos das Breeders, mas continua a valer a pena por dois motivos: porque são as Breeders, ora!, e por ser, como seu antecessor, um chute no saco dos saudosistas da década de 90.
Jose Gonzalez - In our nature (2007)
Jose Gonzalez é um estrela no seu país: a Suécia. Seu maravilhoso primeiro album Veneer, antes de se tornar um sucesso indie mundial, teve primeiro uma grande repercussão naquele país. Grande parte deste sucesso deu-se devido a lindíssima e inspirada versão folk dada por Gonzalez à música "Heartbeats" do grupo de electro-rock The Knife.
Neste novo album, Gonzalez não pisa muito longe do que fez em Veneer. O que por si só já garante que In our nature seja um ótimo album. A curiosidade é que ele continua aqui a série "versões folk de canções eletrônicas": a bola da vez agora é "Teardrop", do Massive Attack. Muito óbvio? A princípio pensei que sim, mas por fim achei também uma boa versão.
No mais, Gonzalez faz uma bela mistura de referenciais como Joy Division, Nick Drake, Paul Simon, Red House Painters, e Elliott Smith no seu folk intimista e minimalista.

Beachhouse - Devotion (2007)
Guardei esta jóia para o final. Esta dupla formada por Alex Scally e Victoria Legrand faz uma música melancólica e atemporal. Mesmo que Devotion não altere em quase nada a fórmula minimalista das canções do primeiro album (teclados, violões e beats eletrônicos ultra-simples, com bastante feed back de guitarras e ambientações que funcionam como uma cama perfeita para a voz de Victoria), é difícil comparar este novo album com seu antecessor de 2006. Beach House faz um som de beleza incomparável, lembrando muito os melhores momentos de Nico e as pérolas do Mazzy Star. Pra ouvir chapando vinho tinto no gargalo.

Radiohead - In Rainbows (2007)
Andei falando merda aqui no Blog sobre In Rainbows. Disse, ao comentar os melhores discos do ano passado que não considerava que tal disco fosse uma evolução na carreira dos caras. Estava errado. Como todo bom disco, a ficha de In Rainbows caiu depois, bem depois. Basta dizer que é o melhor disco do Radiohead no sentido de conciliar o seu experimentalismo com acessibilidade a novos públicos e gerações.
Definitivamente o melhor disco deles. Mil desculpas! (como se eles se importassem!aahahaha)
Stephen Malkmus and The Jicks - Real Emotional Trash (2008)
Mr. Malkmus está de volta, pra nossa alegria. Engraçado como desde o Pavement, os albuns compostos por Malkmus parecem compor certos padrões. No Pavement, o terceiro album, Wowee Zowee estava para o primeiro, Slanted and Enchanted, assim como o quarto, Brighten the Corners, estava para o segundo, Crooked rain Crooked rain, e assim por diante.
Em sua carreira solo, Malkmus parece seguir o mesmo padrão. Seu primeiro album solo está para o terceiro, Face the Truth (2005), assim como este Real Emotional Trash está para o segundo, Pig Lib. Neste último par mencionado, a sonoridade apresenta-se mais crua e angular graças à sua interação com o The Jicks, sua banda de apoio nestes discos em questão. Nos outros dois albuns (o primeiro e o terceiro), a ausência do Jicks faz com que os albuns sejam mais melódicos, menos angulares, mais trabalhados, e por consequência mais acessíveis.
Real Emotional Trash talvez mostre, por fim, um descolamento maior do som tão característico criado por Malkmus junto dos seus antigos companheiros do Pavement. Som este, que foi capaz de criar um novo padrão estético para bandas indie da década de 90 e que continua influenciando centenas de outras bandas. Enquanto isso, Malkmus vai trilhando difíceis novos caminhos, tentando fugir do que ele mesmo criou e que parece ser tão característico de sua excêntrica personalidade. Sua discografia solo mostra que lentamente ele vai realizando tal intuito.
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2 Comentários:
E eu que achava que só eu queimava língua... O Radiohead agradece!!! Como eu queimo a minha língua com bandas e discos pelo menos umas 5 vezes por mês, me sinto confortável em dizer: bem-vindo ao time!!!
Abraços e moderação com estudo/trabalho, rapá!!!
Por
brenosnato, Às
29 de Abril de 2008 10:43
Osnato!
Escute o The Sword!!!
Valeu por vc acompanhar o blog (aliás vc deve ser um dos poucos leitores desta merda!)
Aquele seu texto será publicado em breve!
abraço!
Por
Guite, Às
1 de Maio de 2008 18:00
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